|
[HISTÓRIA]
O Leito de Morte do Último dos Bandoleiros |
||||
|
Artur Alberto de Melo nasceu e se criou onde hoje é Giruá (RS), mas cunhou sua história, com o apelido de Artur Arão, no País-bandido. Maragato participante da Revolução de 23 e da Guerra do Chaco, entre o Paraguai e a Bolívia (1932 a 35), teve sua história romanceada em quatro livros pelo escritor Ludovico Me- neghello, que o conheceu em uma cadeia em Santo Ângelo, ao ser preso por motivos políticos. A história do bandoleiro no País-bandido tem duas testemunhas vivas: Albano Stullp, 71 anos, na época escrivão de polícia, piloto de barco e motorista do único jipe que existia em Itapiranga, e Beno Eidt, 81 anos, naqueles tempos balseiro - conduzia por água toras até Santo Tomé, na Argentina. - Todos sabiam da fama dele. Mas era tratado como mais um na comunidade porque a maioria dos que viviam aqui era de foragidos da Justiça - disse Eidt. Certa vez, em busca de toras desaparecidas, Eidt foi até o casebre onde vivia Arão, na beira do Rio Uruguai. Lembra de ter descido do barco e encontrado o bandoleiro na frente da casa. Ele tinha cerca de 1m80cm de altura, lenço vermelho no pescoço, bombachas largas e falava à moda dos homens do sul - tom de voz forte e misturando espanhol e português. Trazia à vista na cintura o facão e um revólver de cabo branco. O bandoleiro sobrevivia furtando gado no Paraguai. Atravessava a tropa pela Argentina e a revendia no Rio Grande do Sul. Eidt seria uma das últimas pessoas com quem Arão conversaria. Horas depois chegaria a sua casa um rival na disputa do coração de uma castelhana casada, Balduino Ramos, acompanhado de um adolescente de 16 anos. Como Arão, Ramos era um bandoleiro gaúcho refugiado. Os dois conversaram, enquanto Arão fechava um palheiro. Era uma conversa travada de modo que qualquer descuido de uma das partes daria oportunidade para a outra ajustar contas. Arão se distraiu. O garoto o atacou com um adaga na cabeça. Arão sacou o revólver, mas não conseguiu disparar, como relatou Stullp, que foi buscar o ferido no seu casebre: - Enrolei a cabeça dele em trapos porque sangrava muito e o trouxe para o Hospital Maternidade Sagrada Família. Ele resistiu ao ferimento por dois dias. Fonte: http://www.zerohora.com.br/ Autor: Carlos Wagner |
||||
|
||||
|