A História do Blues |
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Outros fatores influenciaram o blues a tomar forma: as Work Songs, os Spirituals e os Hollers. As Work Songs eram cantos de trabalho, onde, enquanto trabalhavam, um dos escravos cantava um verso e os outros repetiam, trabalhando todos em sincronia, ou seja, em um mesmo ritmo. Quando os negros norte-americanos começaram a freqüentar a igreja cristã, então surgiram os Spirituals, que era a maneira como eles cantavam as canções religiosas. Os Hollers, ou "cantos solitários", surgiram depois do fim da escravidão, onde a figura do negro trabalhando sozinho na lavoura e fazendo sua música solitariamente predominou nos no sul dos EUA. Enquanto as work songs deram ritmo ao blues, os hollers deram a liberdade de composição.
No século XIX, a palavra "blues" era usada para denominar, e até explicar um estado de espírito em que a pessoa (principalmente os negros) se sentia tristes, angustiados, sofridos. Então para expressar esse sofrimento de amargura eles cantavam esses "blues". Com o passar dos anos os temas musicais se tornaram os mais variados, como: paixões, amores não correspondidos, vingança, traição, tristeza, farra, bebida e mulher. No início do século XX o blues já era ouvido em todo o delta do Mississipi e em vários estados do sul. Com o advento da 1ª Guerra Mundial muitos negros migraram da zona rural do sul dos EUA para as cidades também do sul.
Na década de '30 apareceram cantores como Son House, Robert Johson, Charlie Patton, Sonny Boy Williamson II, Blind Lemon Jefferson, Big Joe Williams, Bukka White, entre outros. Mas o blues ainda continuava rural, acústico e "cru". Na década de '40 os negros do sul migram para
as cidades industrializadas do norte. Nasce o blues urbano de Chicago,
um blues totalmente elétrico. Aparece mais uma safra de músicos, inclusive,
aqueles nascidos no delta do Mississipi e que já faziam um certo sucesso
em Memphis. Surge Elmore James, Howlin Wolf, Willie Dixon, Muddy Waters, Big Bil Broonzy, Jimmy Red, etc. Chicago ainda viu surgir Otis Rush, Magic Sam, Buddy Guy, Little Water, entre outros. A batida da música de Bo Dibbley é a batida precursora do rock que está para surgir. O cantor Elvis Presley torna o blues um tanto popular em meio a população branca norte-americana. Outro ritmo já popular na década de '50 é o "Rhythm and Blues", um dos filhos do blues. Quando esse som começa a ser ouvido pela população branca muda-se o nome e surge o "Rock n' Roll".
Da Soul Music nasce o Funk e mais tarde a "Disco Music". Já nos anos '70 Led Zeppelin e Aerosmith se familiarizaram com o blues gravando várias músicas com o ritmo. B.B. King se torna o "embaixador do blues" e mais tarde o "rei". Na década de '80 aparecem Robert Cray e Stevie Ray Vaughan. Já na de '90 estoura o sucesso de Jonny Lang, Blues Traveler e da texana Sue Foley. Ainda há muitos outros nomes importantes no canário do blues como John Lee Hooker, Etta James (hoje, considerada a rainha do blues), Koko Taylor, Jonny Winter, Sugar Blues, James Cotton, Junior Wells, Dr. John, Carey Bell, Otis Spann, Menphis Slim, Magic Slim, Bonnie Lee, John Mayal, Champion Dupree, Mississipi John Hurt, etc.
Bem, essa é uma breve história do blues, cuja palavra não quer denomina apenas um gênero musical, mas também um estado de espírito, uma história de sofrimento, um lamento posto pra fora. Dizia um bluesman : "O blues é um homem bom, sentindo-se mal, por causa mulher que um dia teve". O blues é isso aí, simples mas tocante. E é com essa simplicidade que ele atravessou gerações, sofreu algumas mutações, e deixou de ser uma música folclórica e regional para se tornar popular no mundo inteiro. Então, escutem o blues, sintam o blues e vivam o blues ! Autor: João Gilberto Reck |
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